Alexandre da Maia e suas doideiras... notas de um cardisplicente


As atitudes filosóficas

Mais importante para o filósofo (e para o filósofo do direito, por seu turno) não é aprender a dar respostas, mas aprender (e isso nunca se esgota) a formular as perguntas. Não um aprendizado careta que fecha a pessoa nela mesma, mas uma abertura à diferença que só gera mais perguntas, mais inquietações e menos verdades prontas e acabadas.

Diante disso, o conceito de "indivíduo" se torna um devaneio metafísico, já que a abertura à diferença nos leva a um fracionamento dessa pretensa unidade racional que supostamente representaria o ser humano. Creio que um dos problemas reside em nossa educação castradora, que nos "ensina" a decorar muita coisa e a pensar quase nada. Quando a gente acha que sabe de alguma coisa, vem a vida e nos mostra novas (e até então, muitas vezes, inusitadas) possibilidades de agir no mundo. Mas por que foi que isso aconteceu e acontece? Porque as pessoas, na maioria das vezes, ficam preocupadas em querer construir uma identidade que seria "comum" a todo ser humano e não se ligam que vivenciamos a diferença até mesmo internamente, com nosso querer fragmentado e com desejos que nem sempre conseguimos distinguir com clareza. Então, diga pra mim: como podemos pensar em "indivíduo"? Como pensar em uma identidade que não se divide quando, internamente, somos completamente fracionados? Mais uma vez isso é fruto do modelo moderno de "racionalização" do "conhecimento".

E os reflexos disso no direito são claríssimos, mas falo sobre isso noutra hora. 



Escrito por da Maia às 04h14
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




I LOVE CAFUSÚ: NÃO PERCA!!!



Escrito por da Maia às 13h13
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




O QUE VOCÊ NÃO PODE PERDER NA FOLIA DE MOMO

 

Como todos já devem saber, o baile do Eu Acho É Pouco, dia 31 de janeiro, deu o pontapé inicial do período das chamadas prévias da Folia de Momo, que, para muitos, são até melhores que os dias de Carnaval.

 

Tenho a mesma impressão. Cada vez mais, e sobretudo pela profusão de troças, blocos e formas de diversão para todos os gostos, chego à conclusão de que os 4 dias funcionam como um canto do cisne da folia, o ápice e, ao mesmo tempo, a preparação para o fim. E é como se essa preparação fosse, ela mesma, o fim desse período, como que numa apoteose que já inclui em seu roteiro o fim.

 

Por falar em fim, e da condição paradoxal da própria vida, vejo também que o sentimento da tristeza sempre foi um belo leitmotiv para o Carnaval. Um não existe sem o outro. Leio a Serenata Suburbana, de Capiba, que retrata exatamente isso: “se eu canto em serenatas é para não chorar”. E se lembrarmos “do velho Raul Moraes” e sua “Marcha da folia”? Ele vai dizer que “temos na vida só dissabores, tristezas, amargores e a desilusão final/ Mas de vencida o mal levemos/ esqueçamos que sofremos divertindo o Carnaval”. Isso sem falar da tristeza habitual das letras das marchas de bloco. E o que explicar uma série de marmanjos chorando em plena multidão apenas porque viu sua troça de coração passar? Essas coisas me mostram os limites de uma pretensa “racionalização” no modo de ver o mundo, racionalidade que rejeita crenças esquecendo que ela mesma também é uma forma de crença, de fé. Essa epifania do sentir revela muito sobre o que somos, sem, claro, fixar um modelo que funcione como padrão para isso.

 

Dentro desse clima, convoco os (poucos) leitores deste blog para alguns eventos que considero imperdíveis neste período momesco:

 

1)      AMANTES DE GLÓRIA: se você perdeu a prévia do último dia 7 de fevereiro, só lamento. A troça continua mais animada do que nunca e destila sátira e frevo no pé para todos. A saída oficial, anote aí, é na segunda-feira de Carnaval, dia 23, no Recife Antigo. Orquestra animada e foliões mais ainda. Show de frevo;

 

2)      EU ACHO É POUCO: quem não conhece esse “bloco liberal, existencial, etc e tal de nosso Carnaval”? As duas saídas realizadas em Olinda, no sábado de Zé Pereira e na terça-feira gorda, são apoteóticas. Muita “gente paquera em clima de bonita”, só que com um apelo mais alternativo, e uma orquestra matadora. Se sair inteiro, e só assim, eu digo que você se garante;

 

3)      TÁ MALUCO: meu caso de amor pelo Tá Maluco já tem um bom tempo (e este blog é testemunha disso). Eis uma troça que não existe mais no dia-a-dia de Olinda, mas que, felizmente, sai às ruas da cidade alta às 10h do domingo que vem, dia 15 de fevereiro, com Olinda inteira recebendo sua legião de foliões. É uma ode ao frevo de rua! A orquestra do Maestro Lessa toca aqueles frevos de rua que você usualmente não ouve por aí. É possível escutar “Duas épocas”, do extraordinário maestro Edson Rodrigues, “Brasil, Espanha”, “Dois de Macacão” e essas músicas que atingem em cheio o coração de um apaixonado pelo frevo. “É de fazer chorar”, como diz o frevo de Luiz Bandeira.

 

EVOÉ, galera! E a gente se encontra nas ladeiras e no Recife Antigo.

 



Escrito por da Maia às 04h37
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 



Meu perfil
BRASIL, Nordeste, RECIFE, BOA VISTA, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Música, Livros
MSN - damaia@uol.com.br
Histórico
Outros sites
  UOL - O melhor conteúdo
  BOL - E-mail grátis