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AS IMAGENS DO DIREITO: : a retórica das imagens na história dos conceitos jurídicos no Brasil
Compreender é conseguir se contorcer e ampliar limites da capacidade de refletir. Ou seja, é viver lidando sempre com o que podemos (e o que não podemos) fazer. Compreender é ter uma expansão da auto-reflexão, do conhecer-se. Curiosamente, isso pode ser confundido com uma sedução pelo domínio, pelo poder. Afinal, é como se houvesse um fascínio pelo reconhecimento de sua própria capacidade de compreender conceitos, erigir teorias, construir caminhos. É como se o conhecer fosse uma dor gostosa de sentir, pois traria com ela a sensação de dominar, de reter, de ter poder. Só que (e daí vem o paradoxo do conhecimento) quanto mais se compreende, mais se percebe que o que tudo aquilo que compreendemos não passa de uma série de recortes contingentes de uma subjetividade fragmentada. Tais recortes serão aqui entendidos como imagens que mostram a fragilidade e a pluralidade de possibilidades do conhecer e do conhecer-se. Isso mostra como é vã a pretensão de pretender fixar o conhecimento e a compreensão na crença de um sujeito pleno, íntegro, formalmente estruturado e capaz de dominar todos os recursos necessários para o controle de uma “natureza” objetificada, que pode ser domada pelo o assim intitulado “sujeito cognoscente”. Esse tema toca (em especial nos debates da teoria do direito e da política) em uma série de tentativas de cristalização hipostasiada de conceitos jurídicos e políticos, como se tais conceitos fossem fechados e com pretensão de universalidade. Só que esse fechamento e essa universalização são já elas mesmas formas de tomada de posição sobre como compreender o direito. São, portanto, fruto de escolhas, o que mostra como essa universalização não é universalista (ao menos na pretensão de universalidade) e nem os conceitos jurídico-políticos estão petrificados e hierarquizados. Essa forma de lidar com os conceitos será chamada aqui de adoção de modelos-padrão de identidade, que se projetam tanto na política quanto no direito. O que se pretende neste trabalho é mostrar uma crítica à forma de exposição das noções de “espaço da experiência” e “horizonte de expectativas” explicitadas na história dos conceitos; tais noções, se tratadas como “categorias históricas”, podem se tornar invariantes hipostasiadas no discurso histórico. Claro que sabemos que Koselleck explicita a mudança histórica da relação entre experiência e expectativa, mas a tese aqui esboçada imagina (já que ela também é uma imagem) que o “espaço da experiência” e o “horizonte de expectativas” são representações contingentes de comunicações que se travam a partir de uma subjetividade fragmentada dos sistemas psíquicos. A proposta metodológica consiste em verificar, no direito, como as projeções do passado e do futuro são feitas no presente determinado, e que, naquele presente específico e contingente, as projeções de passado e futuro podem ser múltiplas, sobretudo, em primeiro lugar, pelas imagens projetadas como fragmentos da subjetividade (que ora se enaltecem, ora se ocultam, retoricamente) e, também, pela hipercomplexidade social, que mostra múltiplas formas do agir e do vivenciar. Muito embora estejamos numa circunstância de uma dupla fragmentação (fragmentação interna do sujeito e das “formas do agir e do vivenciar”), as formas de representação comunicacional das doutrinas tendem a cristalizar conceitos jurídicos que, curiosamente, também se modificam não apenas pelo aumento da complexidade, mas também pela hipercomplexificação interna de quem compreende. Com isso, seria possível juntar as múltiplas possibilidades de construção da compreensão da história e da história dos conceitos jurídicos e políticos. É possível utilizar os conceitos de dupla contingência e de complexidade da teoria dos sistemas de Luhmann para pensar o “espaço da experiência” e o “horizonte de expectativas” da história dos conceitos, mas não como categorias, que podem potencializar o risco de uma petrificação conceitual de análise, mas como construções, imagens projetadas a partir da dupla fragmentação. A partir dessa proposta teórica ainda em formatação, acredita-se que é possível analisar, a partir dessa “retórica das imagens”, os conceitos jurídicos no Brasil, que será a segunda parte da pesquisa. Por exemplo, como o conceito de “homicídio privilegiado” foi projetado pro futuro a partir das múltiplas possibilidades de projeção das imagens do passado que também foram projetadas no presente de então. Ou seja, as múltiplas imagens que a doutrina da época projetava quando da análise do Art. 121, § 1º., do Código Penal Brasileiro, de 1940. Com isso, a proposta metodológica verificaria os “espaços da experiência” e os “horizontes de expectativas” na época não como categorias, mas como caminhos diferentes oriundos da dupla fragmentação. Com isso, verificaremos se essas projeções se materializam (e de que forma isso aconteceu) quando das decisões acerca do homicídio privilegiado nos dias de hoje.
Escrito por da Maia às 15h13
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o que é o que é?
Compreender é conseguir se contorcer e ampliar limites da capacidade de refletir. Ou seja, é viver lidando sempre com o que podemos (e o que não podemos) fazer. Compreender é ter uma expansão da auto-reflexão, do conhecer-se. Curiosamente, isso pode ser confundido com uma sedução pelo domínio, pelo poder. Afinal, é como se houvesse um fascínio pelo reconhecimento de sua própria capacidade de compreender conceitos, erigir teorias, construir caminhos. É como se o conhecer fosse uma dor gostosa de sentir, pois traria com ela a sensação de dominar, de reter, de ter poder. Só que (e daí vem o paradoxo do conhecimento) quanto mais se compreende, mais se percebe que o que compreendemos são nada mais que recortes contingentes de uma subjetividade fragmentada. Conhecer é perceber a fragilidade do conhecer-se.
Escrito por da Maia às 17h04
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Uma pimentinha do reino, por favor...
Querido Adrualdo, Permita-me discordar. O conceito clássico de "indivíduo" pressupõe tudo aquilo que não somos: uma unidade indivisível e pretensamente racional do ser humano. Tudo isso é uma ficção barata de um modelo enlatado de ser humano, que não considera nem ao menos a circunstância de um fracionamento interno que nos marca como animais que somos. Acho que o discurso da racionalidade pode por vezes esquecer (e isso não acontece por acaso) que, no fundo, somos animais. Não quero entrar no mérito de isso ser bom ou ruim. Afinal, os julgamentos morais são uma válvula de abertura à contingência da própria compreensão do que é "ser moral". Assim, o "valor moral", no caso do seu texto, é aquele que você acha que é um valor moral. E, claro, há outros seres humanos com expectativas morais bem diferentes das suas. E a democracia não é o espaço da identidade, mas sim da diversidade. E a ênfase na diferença não gera mais violência dessa forma escatológica colocada por você. Pelo contrário: talvez a falta de enquadramento nos padrões identitários (quer pelo racismo, pela pobreza, pela xenofobia etc.) gere mais e mais violência. O discurso nazista é um discurso da identidade, e não da diferença. Ou seja, só quem é "igual" merece consideração e apreço, e isso vem gerando mais e mais exclusão, miséria, fome, intolerância etc. Tematizar a "unidade da diferença" (e isso envolve, claro, paradoxos) pode ser um caminho de teorização. E não tô preocupado com uma "teoria do direito", pq isso pra mim é um corolário dos problemas relacionados à dinâmica da sociedade e das diferenças nas formas de agir, de querer, de vivenciar, de amar, de sofrer etc. E como diria Marcelo Neves, a marca da democracia não é o consenso, mas sim o dissenso, e o direito funciona muito mais como um mecanismo de neutralização de dissensos do que de materialização de "consensos". A decisão jurídica, por exemplo, é muito mais uma forma de neutralizar dissensos, tentando colocar um ponto final no debate por meio do esgotamento dos procedimentos previstos para a discussão. Isso não significa dizer que o resultado da decisão é fruto de um consenso, seja ele "racional" ou não. E não há "um pano de fundo", e sim panos que se mesclam e se separam de forma contingente, vide o que acontece no âmbito do amor, da política, do direito, da economia etc. Não se fala da sociedade fora da sociedade, e nisso eu acho que Luhmann tem razão: ao falarmos de sociedade, isso já é sociedade, e não um objeto alheio, distante, "de fora", que nós descrevemos como se fosse um pedaço de bolo. Falar de sociedade já é sociedade. Ou seja, autodescrição. Assim, o modelo clássico sujeito-objeto perde sentido porque é uma autodescrição, e não uma descrição que se faz "de fora". Sigamos no debate, meu querido amigo. Abração, da Maia
Escrito por da Maia às 03h58
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As atitudes filosóficas
Mais importante para o filósofo (e para o filósofo do direito, por seu turno) não é aprender a dar respostas, mas aprender (e isso nunca se esgota) a formular as perguntas. Não um aprendizado careta que fecha a pessoa nela mesma, mas uma abertura à diferença que só gera mais perguntas, mais inquietações e menos verdades prontas e acabadas. Diante disso, o conceito de "indivíduo" se torna um devaneio metafísico, já que a abertura à diferença nos leva a um fracionamento dessa pretensa unidade racional que supostamente representaria o ser humano. Creio que um dos problemas reside em nossa educação castradora, que nos "ensina" a decorar muita coisa e a pensar quase nada. Quando a gente acha que sabe de alguma coisa, vem a vida e nos mostra novas (e até então, muitas vezes, inusitadas) possibilidades de agir no mundo. Mas por que foi que isso aconteceu e acontece? Porque as pessoas, na maioria das vezes, ficam preocupadas em querer construir uma identidade que seria "comum" a todo ser humano e não se ligam que vivenciamos a diferença até mesmo internamente, com nosso querer fragmentado e com desejos que nem sempre conseguimos distinguir com clareza. Então, diga pra mim: como podemos pensar em "indivíduo"? Como pensar em uma identidade que não se divide quando, internamente, somos completamente fracionados? Mais uma vez isso é fruto do modelo moderno de "racionalização" do "conhecimento". E os reflexos disso no direito são claríssimos, mas falo sobre isso noutra hora.
Escrito por da Maia às 04h14
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I LOVE CAFUSÚ: NÃO PERCA!!!

Escrito por da Maia às 13h13
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O QUE VOCÊ NÃO PODE PERDER NA FOLIA DE MOMO
Como todos já devem saber, o baile do Eu Acho É Pouco, dia 31 de janeiro, deu o pontapé inicial do período das chamadas prévias da Folia de Momo, que, para muitos, são até melhores que os dias de Carnaval. Tenho a mesma impressão. Cada vez mais, e sobretudo pela profusão de troças, blocos e formas de diversão para todos os gostos, chego à conclusão de que os 4 dias funcionam como um canto do cisne da folia, o ápice e, ao mesmo tempo, a preparação para o fim. E é como se essa preparação fosse, ela mesma, o fim desse período, como que numa apoteose que já inclui em seu roteiro o fim. Por falar em fim, e da condição paradoxal da própria vida, vejo também que o sentimento da tristeza sempre foi um belo leitmotiv para o Carnaval. Um não existe sem o outro. Leio a Serenata Suburbana, de Capiba, que retrata exatamente isso: “se eu canto em serenatas é para não chorar”. E se lembrarmos “do velho Raul Moraes” e sua “Marcha da folia”? Ele vai dizer que “temos na vida só dissabores, tristezas, amargores e a desilusão final/ Mas de vencida o mal levemos/ esqueçamos que sofremos divertindo o Carnaval”. Isso sem falar da tristeza habitual das letras das marchas de bloco. E o que explicar uma série de marmanjos chorando em plena multidão apenas porque viu sua troça de coração passar? Essas coisas me mostram os limites de uma pretensa “racionalização” no modo de ver o mundo, racionalidade que rejeita crenças esquecendo que ela mesma também é uma forma de crença, de fé. Essa epifania do sentir revela muito sobre o que somos, sem, claro, fixar um modelo que funcione como padrão para isso. Dentro desse clima, convoco os (poucos) leitores deste blog para alguns eventos que considero imperdíveis neste período momesco: 1) AMANTES DE GLÓRIA: se você perdeu a prévia do último dia 7 de fevereiro, só lamento. A troça continua mais animada do que nunca e destila sátira e frevo no pé para todos. A saída oficial, anote aí, é na segunda-feira de Carnaval, dia 23, no Recife Antigo. Orquestra animada e foliões mais ainda. Show de frevo; 2) EU ACHO É POUCO: quem não conhece esse “bloco liberal, existencial, etc e tal de nosso Carnaval”? As duas saídas realizadas em Olinda, no sábado de Zé Pereira e na terça-feira gorda, são apoteóticas. Muita “gente paquera em clima de bonita”, só que com um apelo mais alternativo, e uma orquestra matadora. Se sair inteiro, e só assim, eu digo que você se garante; 3) TÁ MALUCO: meu caso de amor pelo Tá Maluco já tem um bom tempo (e este blog é testemunha disso). Eis uma troça que não existe mais no dia-a-dia de Olinda, mas que, felizmente, sai às ruas da cidade alta às 10h do domingo que vem, dia 15 de fevereiro, com Olinda inteira recebendo sua legião de foliões. É uma ode ao frevo de rua! A orquestra do Maestro Lessa toca aqueles frevos de rua que você usualmente não ouve por aí. É possível escutar “Duas épocas”, do extraordinário maestro Edson Rodrigues, “Brasil, Espanha”, “Dois de Macacão” e essas músicas que atingem em cheio o coração de um apaixonado pelo frevo. “É de fazer chorar”, como diz o frevo de Luiz Bandeira. EVOÉ, galera! E a gente se encontra nas ladeiras e no Recife Antigo.
Escrito por da Maia às 04h37
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QUERO BOTAR MEU ROCK NA RUA!
Release por Jarmeson LimaNo primeiro dia de fevereiro, quatro bandas do Recife se juntam para botar seu bloco na rua. É a festa "Quero botar meu rock na rua" que antecipa os festejos carnavalescos com muita música ao som dos grupos Badminton, Pocilga Deluxe, Sweet Fanny Adams e The Playboys. A festa acontece no Downtown Pub (Recife Antigo) no dia 01/02, a partir das 17h. E como já é carnaval, cada uma das bandas vai tentar executar ao vivo algumas marchinhas e frevos, sem esquecer o repertório autoral, para o público entrar no clima.
Atrações - Fazendo o lançamento de seu segundo e elogiado disco apelidado de "II", o Badminton abre a festa. Comandado pelo guitarrista Felipe Vieira, o grupo é veterano na cena pernambucana e está a serviço do rock'n'roll e do alt-country com músicas inspiradas em mestres como Neil Young e Frank Black. O novo disco, produzido e gravado pelo guitarrista em um acabamento lo-fi, tem influências notáveis da sonoridade de bandas como Wilco e Dinosaur Jr.
Na sequência, entra em cena o psicopop sofisticado da Pocilga Deluxe, grupo que lançou durante o festival No Ar Coquetel Molotov do ano passado o seu EP de estréia "Aurora". Além das guitarras poderosas, baixo pulsante e bateria sincopada, as músicas de André Balaio (vocal), Pedro Parini (guitarra), Marina Adeodato (baixo) e Alexandre Da Maia (bateria) têm arranjos vocais que saem do lugar comum. Com influências de Roxy Music, Nick Cave e Mutantes, as letras surpreendem ao revelar comportamentos obsessivos, juntando sofisticação e cafajestice, afetação e passionalidade, inocência e ironia.
Em 2008, a Sweet Fanny Adams percorreu um invejável circuito de festivais independentes pelo país mostrando seu rock'n'roll dançante e com bons riffs de guitarra e refrões contagiantes. Eles já possuem dois EPs lançados pela Bazuka Discos e uma das músicas do EP "Fanny, you're no fun" integra a trilha sonora de Alice, mini-série do canal HBO. Com diversas e memoráveis apresentações pela noite recifense, a Sweet Fanny Adams de Diego (baixo/vocal), Helder (guitarra), Leo Gesteira (guitarra/vocal) e Rafael Borges (bateria) consegue animar qualquer festa.
E para encerrar este moderno e irreverente baile de pré-carnaval roqueiro, a The Playboys faz o pré-lançamento de seu disco "Chega de Niilismo". O grupo que possui mais de dez anos de estrada pedindo mesada já se apresentou tanto em hospitais psiquiátricos, quanto em grandes festivais. Se utilizando do punk e do rockabilly para satirizar comportamentos culturais e situações vivenciadas por seus integrantes, a The Playboys ainda toca instrumentos de brinquedo e possui letras sarcásticas que cultuam o absurdo. Nada mais apropriado para agitar o público antes do bloco do rock sair para a rua.
QUERO BOTAR MEU ROCK NA RUA Shows com Badminton, Pocilga Deluxe, Sweet Fanny Adams e The Playboys Local: Downtown Pub - Rua Vigário Tenório - Recife Antigo Data: Domingo - 1º de fevereiro - A partir das 17h Mais informações: http://www.myspace.com/badmi http://www.myspace.com/pocilgadeluxe http://www.myspace.com/sweetfannyadamsmusic http://www.myspace.com/theplayboysofficia
Escrito por da Maia às 12h36
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(Mais uma) listinha de fim de ano
Sempre difícil e complicado fazer o ranking de mais legal que pintou em 2008. De toda sorte, aí vai uma tentativa de estabelecer algumas coisas bacanas na música e no cinema, sem estabelecer, claro, uma ordem entre elas. Aliás, acho que precisamos mais da nossa animalidade do que qualquer senso de ordem. Eis a lista, então:
a) O disco novo do TV on the radio, Dear science, foi mais um petardo daqueles. A banda do Brooklyn mandou muito bem num disco vigoroso e, ao mesmo tempo, dançante. Nota dez;
b) Ter tocado com a Pocilga DeLuxe no Coquetel Molotov e no Festival Música Recife. Realmente, foi uma realização como doublé de músico;
c) O sumiço e a volta do Som Barato (www.sombarato.org). Quer música brasileira de primeira? Baixe, via torrent, pelo site, incluindo o EP da Pocilga DeLuxe, "Aurora", devidamente postado pela própria banda;
d) O projeto indie do Álbum Branco, em comemoração aos 40 anos do disco antológico dos Beatles. Destaque para a versão de “Long, long, long”, da Profiterolis;
e) Os sites Recife Rock! (www.reciferock.com.br) e Pop up (www.popup.mus.br) fazendo uma excelente cobertura da cena independente de Recife e de outros lugares do País;
f) E por falar em cena independente, não tem como não falar do disco da Macaco Bong, Artista igual pedreiro. Pena que perdi os shows que essa galera de Cuiabá fez no Recife. Daqui, destaco A banda de Joseph Tourton, Zeca Viana e Onomatopéia Bum! e o novo disco do Volver;
g) Gomorra, o filme de Mateo Garrone, é um dos destaques do ano, muito embora ele só deva fazer sua estréia oficial nos cinemas por aqui em 2009. Retrato cru da máfia napolitana, venceu o Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes deste ano. A Palma de Ouro, como vocês sabem, ficou com Entre les murs, filme de Laurent Cantet;
h) Jogo de cena, de Eduardo Coutinho, é uma aula sobre como os sentidos do verdadeiro e do falso podem estar mais mesclados do que o nosso espírito maniqueísta imagina. Não deixe de ver;
i) Gostei de ver o velho Woody Allen enchendo salas de cinema aqui do Brasil. Vicky Cristina Barcelona foi um grande sucesso recente de Mr. Königsberg no País;
j) E como esquecer de Paranoid Park (Gus Van Sant), 4 meses, 3 semanas & 2 dias (Cristian Mungiu, Palma de Ouro na edição de Cannes em 2007), Onde os fracos não têm vez (irmãos Coen) e Senhores do crime (David Cronemberg)? Vá e veja!
E FELIZ ANO NOVO! Vou a Serrambi e vai rolar a maior festa da brodagem. Qualquer coisa, chega por lá. Entrando no condomínio, primeira à direita e quarta à esquerda. Abraços.
Escrito por da Maia às 06h34
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VIVA SAPATO!
Seguinte, galera,
Em homenagem a Muntazer al-Zaidi, o bravo jornalista iraquiano que mandou aquela sapatada no W. Bush, fundamos, eu e Pezão, o movimento VIVA SAPATO!
Entrevistas com autoridades metidas a pseudointelectuais? Sapato em tudinho!
Aproveitando o ensejo, aí vai uma enquete do Blog: quem mereceria levar uma sapatada pública?
E viva o movimento SAPATISTA!
Escrito por da Maia às 16h39
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Faça o seu armorial feliz!
Galera,
É o seguinte: Balaio, Gordo, eu e Pezão lançamos uma campanha: ARIANO NO IRON. Nada como a presença do armorial-que-inventou-o-que-é-ser-armorial (ou seja, ele mesmo) Ariano Suassuna para prestigiar o show do Iron Maiden. Que tal? A campanha está no Orkut. É só acessar http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=78048929
Participem. Nada como um show de metal para fazer feliz seu amigo armorial.
Escrito por da Maia às 03h38
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MUSIL, Robert. O homem sem qualidades. Trad. Lya Luft e Carlos Abbenseth. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006, p. 34.
Quem deseja passar bem por portas abertas deve prestar atenção ao fato de elas terem molduras firmes: esse princípio, segundo o qual o velho professor sempre vivera, é simplesmente uma exigência do senso de realidade. Mas se existe senso de realidade, e ninguém duvida que ele tenha justificada existência, tem de haver também algo que se pode chamar senso de possibilidade. Quem o possui não diz, por exemplo: aqui aconteceu, vai acontecer, tem de acontecer isto ou aquilo; mas inventa: aqui poderia, deveria ou teria de acontecer isto ou aquilo; e se lhe explicarmos que uma coisa é como é, ele pensa: bem, provavelmente poderia ser de outro modo. Assim, o senso de possibilidade pode ser definido como capacidade de pensar tudo aquilo que também poderia ser, e não julgar que aquilo que é seja mais importante do que aquilo que não é.
Escrito por da Maia às 01h19
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vita activa ou vita contemplativa?
Eis a questão
Escrito por da Maia às 17h13
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chega
Chega de racionalidade.
Quero emoção, arte.
O novo, a embriaguez do novo.
A epifania artística como leitmotiv.
Escrito por da Maia às 02h02
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Arte e direito(s humanos)
Na manhã de ontem, dei uma palestra sobre arte e direitos humanos.
Uma abordagem possível da arte na sociedade tem que partir, ao meu ver, de um ponto primordial: não se pode falar da sociedade fora da sociedade (Luhmann). Assim, ou abrimos mão do esquema clássico da relação sujeito-objeto da epistemologia moderna, ou, ao nos comunicarmos sobre o que a sociedade é, reconhecermos que também fazemos sociedade. Assim, trata-se de uma autodescrição, mais uma vez na linha da teoria dos sistemas.
Por outro lado, dentro dessa linha de autodescrição, perceber a arte é perceber o que somos e as formas de representação estética, com isso, se ampliam de uma forma hipercomplexa, o que pode ampliar os horizontes de compreensão da arte e de como a arte se examina enquanto tal.
Será que o reconhecimento do observar o direito (e os direitos humanos)esteticamente pode contribuir para a percepção da fragmentação do sujeito?
Escrito por da Maia às 01h57
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Mais de Ana Cristina Cesar
Abri curiosa o céu. Assim, afastando de leve as cortinas. Eu queria rir, chorar, ou pelo menos sorrir com a mesma leveza com que os ares me beijavam. Eu queria entrar, coração ante coração, inteiriça, ou pelo menos mover-me um pouco, com aquela parcimônia que caracterizava as agitações me chamando.
Eu queria até mesmo saber ver, e num movimento redondo como as ondas que me circundavam, invisíveis, abraçar com as retinas cada pedacinho de matéria viva.
Eu queria (só) perceber o invislumbrável no levíssimo que sobrevoava.
Eu queria apanhar uma braçada do infinito em luz que a mim se misturava.
Eu queria captar o impercebido nos momentos mínimos do espaço nu e cheio.
Eu queria ao menos manter descerradas as cortinas na impossibilidade de tangê-las.
Eu não sabia que virar pelo avesso era uma experiência mortal.
Escrito por da Maia às 04h10
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